Ao consumidor, as dúvidas e as dívidas.

“Os números mostram que nós não recebemos esses repasses. Alguém tem que explicar onde foi parar esse desconto”.

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Essa é a reclamação do presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes de São Paulo, mas poderia ser a de qualquer brasileiro que precisa abastecer seu carro, moto ou caminhão.
Recentemente, uma série de reportagens de vários veículos de comunicação do país, como Folha de SP, Jornal HojeG1 e Exame, questionou o não repasse às bombas das reduções dos preços das refinarias realizadas pela Petrobras.
Nenhuma das matérias respondeu a pergunta. Todas se limitaram – como de praxe – a ouvir os lados.
Abaixo, trechos de alguns depoimentos de representantes da cadeia produtiva do mercado de combustíveis, coletados a partir da matéria da Folha – todos mais escorregadios que azulejo molhado, vou logo avisando:

As distribuidoras responderam que suas estratégias comerciais são confidenciais e que os preços dos combustíveis variam também de acordo com outros elementos, como impostos, logística e margens da cadeia produtiva. Ahã… ok.

A Petrobras Distribuidora informa que os preços praticados pela companhia são estipulados em negociações individuais com os revendedores. Vejam… é a distribuidora da Petrobras!

O mercado de combustíveis tem como característica a liberdade de precificação em todas as etapas da cadeia e quem determina o preço final do produto é o mercado por meio da competição em cada bairro ou cidade, afirmou a Raízen. Pois é… mas liberdade não é libertinagem.

A Ipiranga citou o aumento de preço do etanol anidro nos últimos meses, que ocorre devido à entressafra da cana. A gasolina vendida nos postos tem 27% de biocombustível na mistura. Essa é a balela mais repetida pelos responsáveis pelos aumentos de preço nas bombas. Já desmentida até pelos produtores de etanol (veja aqui). Sem-vergonhice? Tem sim… Pergunta lá no posto Ipiranga!

Detalhe: de acordo com a ANP, essas três companhias controlam 66,4% das vendas de gasolina e 76,5% das vendas de óleo diesel no país. Ou seja… estamos ferrados.

Mas e o que diz o governo? Aqueles caras que são pagos pra nos proteger de “eventuais” falhas nas engrenagens mercadológicas… Bom, esses são ainda mais lisos que sabonete molhado:

Procurados, ANP e Ministério de Minas e Energia afirmaram que os preços dos combustíveis são livres. Leia-se: “tá liberado, galera! Podem meter a mão!”

Responsável por investigar questões concorrenciais, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) diz que os processos são iniciados a partir de denúncias da sociedade.
Caso haja eventuais denúncias ou indícios de cartelização na formação dos preços de combustíveis, seja por distribuidores ou revendedores, o Cade poderia abrir uma investigação para apurar as supostas irregularidades, como já tem sido feito em diversos casos”, afirmou o órgão, em nota. 

E agora, ficou mais claro para você porque os preços nas bombas não caem? Simples: não há interesse do “mercado” e o governo, que deveria corrigir as distorções, não se move… a não ser que alguém denuncie. Quando eu era criança chamavam isso de conivência. Mas agora o mundo é outro, claro…

As sucessivas reportagens de imprensa também não servem como denúncias de algo errado, obviamente.

Então… vamos ficando assim, desse jeito mesmo, como já é de costume.

A nós, consumidores, restam apenas as dúvidas e as dívidas.

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Sobre Alex Ramôa

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Uma resposta para Ao consumidor, as dúvidas e as dívidas.

  1. Ramoa 07 disse:

    Você esperava o que? GOLPE!

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